A Marília Pêra

A atriz, bailarina, cantora, coreógrafa, diretora teatral e produtora Marília Pêra, nascida e criada no Rio de Janeiro, iniciou sua carreira nos palcos teatrais aos 4 anos de idade junto aos seus pais.

Marília Pêra

A estreia como diretora aconteceu em 1978, na peça A Menina e o Vento, de Maria Clara Machado.

Foi um talento dos palcos de teatro, das telas do cinema e da televisão. Atuou em mais de 38 projetos de TV, 29 filmes no cinema e mais de 50 peças teatrais, sendo considerada a atriz que mais atuou sozinha nos palcos, atraindo até o público infantil para um monólogo.

Nos anos 60, foi presa durante a apresentação da peça Roda Viva (1968) de Chico Buarque e foi obrigada a correr nua por um corredor polonês. Foi presa uma segunda vez, visto que era tida como comunista. "Em plena ditadura militar, fazer o papel de Carmen Miranda era politicamente incorreto." relatou Marília.

Faleceu na manhã do sábado 5 de dezembro de 2015, no Rio de Janeiro, aos 72 anos, depois de lutar durante dois anos contra o câncer de pulmão.

Ao longo da carreira destacou-se em papéis de mulheres célebres e intensas, como Maria Callas, Dalva de Oliveira, Coco Chanel, a ex-primeira dama do Brasil Sarah Kubitschek. Mas entre esses papéis, o que mais a caracterizou foi o da pequena notável, a Carmen Miranda.

A Carmen na vida da Marília

Em declaração feita ao programa Fantástico da Rede Globo, em 2006, Marília relata que nunca se achou bonita e que sempre foi desengonçada. Talvez resida aí fonte da admiração de Marília Pêra por Carmen Miranda, uma artista longe dos padrões de beleza com seus 1,52 m de altura, sua espontaneidade e desinibição expressos em movimentos de braços, corpo e piscadas e reviradas de olhos.

Marília foi intérprete de Carmen em mais de 20 circunstâncias

Marília Pêra

Tudo começou com O Teu Cabelo Não Nega (1963), biografia de Lamartine Babo. Depois de 3 anos voltaria a viver o papel da cantora no espetáculo A Pequena Notável (1966), dirigido por Ary Fontoura, no A Tribute to Carmen Miranda, no Lincoln Center, em Nova Iorque (1975), dirigido por Nelson Motta, no A Pêra da Carmen, em 1986 e 1995 e no Yes, nós temos Pêra - Marília Pêra canta Carmen Miranda (2005), espetáculo dirigido por Maurício Sherman em homenagem aos 50 anos do falecimento de Carmen Miranda.

Até na publicidade Marília encarnou Carmen Miranda. Foi em 1971, em um anúncio de uma marca de eletrodomésticos intitulado "Oh, yes, nós temos banana (e Walita também!)".

Em outra ocasião, em 1981, Marília Pêra foi a convidada especial de Ney Matogrosso na série Grandes Nomes. Exibida mensalmente pela Rede Globo, cada programa era batizado com o nome completo do artista homenageado. No programa de Ney, Marília cantou ao seu lado a canção Tá-hi (Taí) de Joubert de Carvalho, primeiro grande sucesso de Carmen Miranda. Marília apresentou-se devidamente caracterizada como Carmen.

Em 1989, Marília protagoniza uma divertida cena com a cantora Rita Lee no filme "Dias Melhores Virão", de Cacá Diegues, cantando e dançando como Carmen Miranda, com um turbante de frutas e um espanador.

Mas não foi apenas nos palcos e em frente às câmeras que Carmen Miranda esteve presente na vida de Marília Pêra.

Em 1972 ela representou Carmen Miranda no desfile do Império Serrano. Naquele ano, com o enredo "Alô, Alô, Taí, Carmem Miranda", a escola do Morro da Serrinha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, convidou mulheres famosas para desfilar na escola, cada uma delas abrindo um setor do enredo. Ao lado de Marília, mais sete artistas representaram a pequena notável: Leila Diniz, Isabel Ribeiro, Mírian Pérsia, Rosemary, Tânia Scher, Olegária e a porta-bandeira Alice. A escola conquistou o campeonato.

Marília voltaria à avenida, desta vez no Carnaval de São Paulo e como homenageada. Em 2015 a atriz foi tema do desfile de Mocidade Alegre com o samba-enredo "Nos Palcos da Vida, Uma Vida no Palco... Marília!"

A biografia da homenageada foi o eixo condutor do desfile, mostrando suas diversas faces e fases e relembrando momentos marcantes e sucessos no teatro, cinema e televisão.

Carmen Miranda é um capítulo à parte. Ela era maravilhosa, um estouro. O que eu mais gostava – o que eu mais gosto - de ver nos shows é a alegria dela, a alegria que ela demonstrava ter só pelo fato de estar em cena. Foi a artista brasileira que eu já tive a oportunidade de assistir, com uma capacidade maior de alegria, de espontaneidade, de ingenuidade, de doçura...

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